Arthur A. Schomburg
Historiador
1874–1938
James Bertram Clarke (c. 1888–1930) foi um influente intelectual, poliglota, jornalista e ativista antirracista afro-caribenho, considerado uma das figuras fundamentais do pensamento transnacional negro nas Américas durante o início do século XX. Nascido na ilha de São Vicente, no Caribe britânico, emigrou jovem para os Estados Unidos, onde ingressou na prestigiada Universidade de Cornell. Graduou-se em 1912 e destacou-se por seu domínio fluente de diversos idiomas, incluindo espanhol, francês e italiano, além de sua intensa militância acadêmica contra o preconceito racial e em prol do acesso de estudantes negros ao ensino superior.
Entre 1916 e 1920, Clarke estabeleceu residência no Brasil, circulando por redes intelectuais, editoriais e diplomáticas na América do Sul. Para navegar com flexibilidade entre os círculos de imprensa e geopolítica da época, adotou pseudônimos como Jayme C. Gil e José Clarana. Durante esse período, assinou análises profundas sobre as relações internacionais no continente, incluindo o ensaio "Venezuela: berço do pan-americanismo" (1918), publicado na revista Três Américas, no qual resgatava a herança de Simón Bolívar e o ideal de integração continental sob uma perspectiva crítica.
Ao longo de sua vida, Clarke conectou redes de intelectuais afrodescendentes dos Estados Unidos, Caribe e América Latina, colaborando com veículos emblemáticos do movimento pelos direitos civis como a revista The Crisis e mantendo interlocução com grandes nomes da diáspora africana. Sua trajetória itinerante e o uso estratégico de múltiplas identidades revelam um pensador que utilizava o jornalismo e a diplomacia cultural como ferramentas para combater o racismo estrutural e promover a solidariedade entre os povos das Américas.