Wilfred Adolphus Domingo
A Dádiva dos Trópicos Negros, de Wilfred Adolphus Domingo (1925)
Quase despercebida, a América desempenha seu papel de sempre no encontro, mistura e fusão dos povos de cor da terra. Uma tribo morena de buscadores de destino, esse povo pardo, negro e amarelo, os olhos cheios de visões de uma herança estrangeira – praias orladas de palmeiras, riachos murmurantes, colinas e vales exuberantes –, realizou uma marcha épica desde os confins mais distantes da terra até o Porto de Nova York e a América. Trazem consigo a dádiva dos trópicos negros para a América e para seus parentes de raça. Com eles vêm vestígios de uma pitoresca vida popular, outras tradições sociais, e, ao se encontrarem e conviverem pela primeira vez em suas vidas pessoas de cor de ascendência espanhola, francesa, holandesa, árabe, dinamarquesa, portuguesa, britânica e africana nativa, entra na vida Negra o fermento e a agitação que são singularmente americanos. Apesar de seus números pouco expressivos, o estrangeiro negro é um fator e uma figura considerável. Não é apenas o pitoresco que ele traz – seus traços magros e queimados de sol, seus modos e sua fala peculiares, suas incongruências tropicais, tudo isso, como acontece com todos os costumes populares, se desgasta em menos de uma geração –, é o seu espírito que conta e tem contado na interação de sua vida com a população nativa.
Segundo o censo de 1920, havia nos Estados Unidos 73.803 Negros¹ nascidos no estrangeiro; desse número, 36.613, ou aproximadamente 50 por cento, viviam na cidade de Nova York, 28.184 deles no distrito de Manhattan. Formavam pouco menos de 20 por cento da população Negra total de Nova York.
Aqui têm seu primeiro contato uns com os outros, com grandes contingentes de Negros americanos, e com a marca americana do preconceito racial. Divididos pela tradição, pela cultura, pelo passado histórico e pela perspectiva de grupo, esses povos diversos são gradualmente forjados em uma unidade frouxa pela força impessoal da segregação residencial congestionada. Ao contrário de outros imigrantes estrangeiros, os imigrantes negros acham impossível segregar-se em colônias próprias; de tez escura demais para se passarem por cubanos ou outros estrangeiros negroides de língua diferente, são inevitavelmente engolidos pela Harlem negra. Sua situação exige um ajustamento
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¹Optou-se por manter, ao longo de toda a tradução, a variação da grafia de “Negro” ou “negro” seguindo os usos do próprio Wilfred Adolphus Domingo no original inglês. [NT]
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diferente do de qualquer outra classe da população imigrante; e não fosse a ajuda de seus parentes de raça, naufragariam quase nas próprias margens de seu porto de refúgio.
De 1920 a 1923, a população Negra nascida no estrangeiro nos Estados Unidos aumentou quase 40 por cento com a entrada de 30.849 africanos (negros). Em 1921 registrou-se o auge de 9.873. Esse aumento não foi permanente, pois em 1923 houve uma saída de 1.525 contra uma entrada de 7.554. Se os 20 por cento que partiram naquele ano forem um índice da proporção que parte anualmente, é seguro estimar um aumento líquido de cerca de 24.000 entre 1920 e 1923. Se os recém-chegados se distribuem pelo país na mesma proporção que seus predecessores, a atual população Negra nascida no estrangeiro em Harlem é de cerca de 35.000. Esse povo constitui, portanto, uma minoria formidável cuja presença não pode ser ignorada ou desconsiderada. É esse grande contingente de nascidos no estrangeiro que contribui com as qualidades que tornam Nova York tão diferente de Pittsburgh, Washington, Chicago e outras cidades com grandes concentrações de Negros americanos.
O maior número vem das Índias Ocidentais britânicas e é atraído à América principalmente por razões econômicas, embora um número considerável da geração mais jovem venha com fins educacionais. O segundo maior grupo é composto por Negros de língua espanhola vindos da América Latina. Distinto por causa de sua língua, e suficientemente numeroso para manter-se como unidade cultural própria, o elemento hispânico tem pouco contato com a maioria de língua inglesa. Em sua maior parte, mantêm-se à parte e seguem, no geral, certas linhas ocupacionais definidas. Um grupo menor, de língua francesa, emigrou do Haiti e das Índias Ocidentais francesas. Há também alguns poucos africanos, um grupo de peregrinos voluntários pela antiga rota dos traficantes de escravos.
Entre a população antilhana² de língua inglesa de Harlem encontram-se cerca de 8.000 naturais das Ilhas Virgens Americanas. Uma parte considerável dessas pessoas foi forçada a migrar para o continente em consequência da vigência da Lei Volstead³, que destruiu a lucrativa indústria do rum e ajudou a reduzir o número de embarcações estrangeiras que costumavam atracar no antigo porto franco de Charlotte Amelia para
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² Optamos por traduzir “West Indians” como “antilhanos”, solução mais fluente que a tradução literal “das Índias Ocidentais”, sem alteração de sentido. [NT]
³ A Lei Volstead (1919) regulamentou a Décima Oitava Emenda da Constituição dos EUA, instituindo a Lei Seca. Ao proibir o comércio de álcool, contribuiu para o declínio da indústria do rum nas Ilhas Virgens Americanas, provocando a migração de parte de sua população. [NT]
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diversos abastecimentos. Apesar de sua longa ligação dinamarquesa, essas pessoas são cultural e linguisticamente inglesas, e não dinamarquesas. Ao contrário dos Negros britânicos em Nova York, os habitantes das Ilhas Virgens têm um interesse inteligente e ativo pelos assuntos de sua antiga terra, e estão organizados para cooperar com seus irmãos de lá, que lutam valorosamente para substituir a atual administração naval das ilhas por um governo civil.
Para o Negro americano comum, todos os estrangeiros negros de língua inglesa são antilhanos, e por isso geralmente se entende súditos britânicos. Há uma suposição generalizada de que os antilhanos têm tudo em comum entre si, embora nada possa estar mais longe da verdade. Os antilhanos se consideram antiguanos ou jamaicanos, conforme o caso, e um simples olhar sobre o mapa revela rapidamente os obstáculos físicos que militam contra a homogeneidade da população; separações de todo tipo, geográficas, políticas e culturais, tendem, em toda parte, a criar e cristalizar características locais.
Essa atitude indiscriminada por parte dos Negros nativos, assim como o atrito gerado pelo contato entre os dois grupos, criou entre os ilhéus uma unidade artificial e defensiva que se revela no fechamento instintivo de suas fileiras quando atacados por estranhos; mas, entre si, a organização por linhas insulares é a regra geral. Seu agrupamento social, contudo, não segue os precedentes insulares. Nas ilhas, a gradação social é determinada por laços familiares, educação, riqueza e posição. Como cada ilha é, em si, uma sociedade completa, os Negros ocupam desde as posições mais humildes até as mais elevadas. A barreira que separa o aristocrata de cor da classe trabalhadora da mesma cor é tão difícil de transpor quanto uma barreira semelhante entre ingleses. A maioria dos antilhanos em Nova York provém das classes média, artesã e trabalhadora. Ao chegar a um país cuja influência, em tudo, tende a democratizar sua raça e a destruir as distinções a que estavam habituados, mesmo aqueles antilhanos de posição social mais humilde logo perdem toda a servilidade que trouxeram consigo. Em seu lugar, adotam toda a autoafirmação das classes a que antes prestavam deferência.
Os antilhanos vêm chegando aos Estados Unidos há mais de um século. A parte que desempenharam no progresso Negro é reconhecidamente importante. Já em 1827, um jamaicano, John Brown Russwurm, um dos fundadores da Libéria, foi o primeiro homem de cor a se formar em uma faculdade americana e a publicar um jornal neste país; dezesseis anos depois, seu compatriota Peter Ogden organizou na cidade de Nova York a primeira Loja Odd-Fellows para Negros. Antes da Guerra Civil, a contribuição antilhana para a vida Negra americana foi tão grande que o Dr. W. E. B. Du Bois, em seu As Almas do Povo Negro, atribui a eles a principal responsabilidade pelo programa de afirmação viril apresentado pela raça nas primeiras décadas do século passado. Indicativa dessa tendência a abrir novos caminhos é a conquista de John W. A. Shaw, de Antígua, que, no início dos anos 1890 do século passado, foi aprovado nos exames do funcionalismo público e tornou-se subcomissário de impostos do Condado de Queens.
Não se tem, de fato, provavelmente, a real dimensão de até que ponto os Negros antilhanos contribuíram para a riqueza, o poder e o prestígio dos Estados Unidos. O major-general Goethals, engenheiro-chefe e construtor do Canal do Panamá, testemunhou em termos elogiosos o fato de que, quando toda outra mão de obra foi tentada e fracassou, foram os homens negros do Caribe cuja inteligência, habilidade, força muscular e resistência tornaram realidade a união do Pacífico com o Atlântico.
Vindos aos Estados Unidos de países onde não haviam experimentado incapacidades sociais ou ocupacionais legalizadas, os antilhanos, muito naturalmente, têm achado difícil adaptar-se às tarefas que, por costume, são reservadas aos Negros no Norte. Habilidosos em diversos ofícios e nutrindo desprezo pelo serviço doméstico e pelo trabalho braçal subalterno, muitos dos imigrantes candidatam-se a posições que o Negro americano comum foi educado a considerar restritas apenas aos homens brancos, com o resultado de que, por sua persistência e obstinação em enfrentar a mão de obra branca, os antilhanos têm sido, em muitos casos, pioneiros e tropas de choque na abertura de caminho para os Negros em novos campos de emprego.
Essa liberdade em relação à inércia espiritual caracteriza as mulheres tanto quanto os homens, pois é largamente por meio delas que o campo ocupacional foi ampliado para as mulheres de cor em Nova York. Por sua determinação, por vezes reforçada por um uso hábil de seus alfinetes de chapéu, essas mulheres tornaram possível que membros de sua raça ingressassem livremente nos ofícios da agulha.
É seguro dizer que a representação antilhana nos ofícios qualificados é relativamente grande; o mesmo vale para as profissões liberais, especialmente medicina e odontologia. Como o judeu, estão sempre se lançando em negócios, e os empreendimentos varejistas que estão nas mãos de Negros em Harlem estão, em grande parte, sob o controle dos nascidos no estrangeiro. Enquanto os Negros americanos predominam em ramos como barbearias e salões de bilhar, em que não há concorrência de homens brancos, os antilhanos voltam seus esforços quase invariavelmente para setores como mercearias, alfaiatarias, joalherias e venda de frutas, nos quais enfrentam o tipo mais acirrado de concorrência. Em alguns desses ramos, são os pioneiros ou os únicos concorrentes sobreviventes dos estabelecimentos comerciais brancos. Em empreendimentos comerciais mais ambiciosos, como imóveis e seguros, são relativamente numerosos. O único cassino e cinema operado por Negros em Harlem está nas mãos de um natural de uma das pequenas ilhas. Na Sétima Avenida, uma mulher antilhana dirige uma chapelaria que seria motivo de honra até na Quinta Avenida.
A analogia entre o antilhano e o judeu pode ser levada mais longe; ambos são ambiciosos, ávidos por educação, dispostos a se lançar em negócios, argumentativos, agressivos e possuidores de um grande zelo proselitista por qualquer causa que abracem. Os antilhanos são grandes defensores de seus direitos e, por seu respeito à lei, tendem a ser litigiosos. Além disso, são, em geral, caseiros, trabalhadores e econômicos. Como seus modelos ingleses, gostam de esportes, carecem de senso de humor (ainda que o maior comediante negro da América, Bert Williams, fosse das Bahamas) e são muito sérios e intensos em sua atitude diante da vida. Poupam seus rendimentos e são atentos a seu povo na terra natal, como atesta o volume de negócios dos Departamentos de Vale Postal e Poupança Postal da agência dos Correios de College Station.
Há dez anos era possível distinguir o antilhano em Harlem, especialmente durante os meses de verão. Habituado a vestir roupas frescas e de cores claras nos trópicos, ele passeava pela Lenox Avenue em um dia quente, resplandecente em sapatos brancos e calças de flanela, alvo de muita zombaria de seus irmãos americanos, que hoje adotaram os estilos que antes ridicularizavam. Esse traço de inconformidade manifestado pelos nascidos no estrangeiro tem irritado os Negros americanos, que se ressentem da autossuficiência implícita, e, como resultado, há uma quantidade considerável de preconceito contra os antilhanos. Alega-se que são orgulhosos e arrogantes; que se consideram superiores aos nativos. E, embora sejam os Negros instruídos de Nova York os mais ruidosos em denunciar publicamente a hostilidade entre os dois grupos, é verdade, contudo, que o sentimento contra os antilhanos é mais forte precisamente entre os membros dessa classe. Isso se explica pela inveja profissional e pela competição pela liderança. À medida que os ilhéus avançam e ascendem, encontram o mesmo tipo de oposição por parte do Negro nativo que o judeu e outros estrangeiros brancos ambiciosos recebem dos americanos brancos. Os antilhanos naturalizados constataram, pela experiência, que os Negros americanos relutam em lhes conceder o direito à liderança política, mesmo quando qualificados intelectualmente. Ao contrário de seus irmãos americanos, os ilhéus estão livres daquelas tradições que os prendem a qualquer partido e, por consequência, são independentes a ponto de serem radicais. De fato, são eles que compõem, em grande parte, os poucos radicais políticos e econômicos de Harlem; sem eles, o movimento genuinamente radical entre os Negros de Nova York não mereceria atenção.
Há uma diferença diametral entre os Negros americanos e antilhanos em seu modo de culto. Enquanto grandes parcelas dos primeiros tendem a entregar-se a manifestações de emotividade que beiram a histeria, os últimos, em suas igrejas metodistas wesleyanas e batistas, mantêm, contrariando a suposição de que os povos dos trópicos são necessariamente emotivos, toda a comedida contenção emocional característica de sua formação inglesa. No radicalismo religioso, os nascidos no estrangeiro são, mais uma vez, pioneiros e propagandistas. A única igreja modernista entre os milhares de Negros de Nova York (e talvez do país) é liderada por um antilhano, o reverendo E. Ethelred Brown, ministro unitarista ordenado, e é sustentada em grande parte por seus conterrâneos ilhéus.
Ao enfrentar o problema do preconceito racial, os Negros nascidos no estrangeiro, e os antilhanos em particular, são obrigados a passar por um ajustamento considerável. Constituindo maioria racial em seus próprios países e não estando habituados a uma discriminação sentida expressamente como racial, rebelam-se contra a "linha de cor" tal como a encontram na América. Pois, embora as linhas de cor e de casta tendam a convergir nas ilhas, é verdade, contudo, que, em razão da proporção da população, do passado histórico e das tradições de rebeliões antes e depois de sua emancipação, os antilhanos de cor não têm suas atividades – sociais, ocupacionais e de outra natureza –determinadas por sua raça. A cor desempenha um papel, mas não é o principal determinante do progresso; daí o profundo sentimento de ressentimento quando a "linha de cor", legal ou costumeira, é encontrada e se revela uma barreira ao progresso individual. Por essa razão, o antilhano tem se lançado de corpo e alma na luta contra o linchamento, a discriminação e as demais incapacidades de que padecem os Negros na América.
É preciso lembrar que os homens e mulheres negros nascidos no estrangeiro são, ainda mais do que outros grupos de imigrantes, os mais robustos e aventureiros de seu povo. Estavam insatisfeitos em casa, e é de se esperar que não fiquem inteiramente satisfeitos com a limitação de oportunidades aqui, quando arriscaram tanto para conquistar uma ampliação de oportunidades. Não sofrem da anestesia local do costume e do orgulho que torna suportáveis, para as maiorias que ficam em casa, situações que de outro modo seriam intoleráveis.
Assim como o antilhano tem sido uma espécie de fermento no pão americano, o Negro americano começa a desempenhar um papel recíproco na vida das comunidades Negras estrangeiras, como, por exemplo, na recente defesa dos direitos do Haiti, da Libéria e das Ilhas Virgens, bem como no crescente ressentimento diante do tratamento dado aos nativos nas dependências coloniais africanas. Essa reação mundial das raças mais escuras a suas queixas, tanto comuns quanto locais, é um dos fatos mais significativos do desenvolvimento recente. A troca de opiniões e simpatias, a extensão e a cooperação de organizações raciais para além das fronteiras americanas, principalmente em termos de projetos econômicos e educacionais, mas também, em medida limitada, em assuntos políticos, hão de se desenvolver em escala considerável num futuro próximo. Anteriormente, os laços se davam quase exclusivamente por meio de empreendimentos missionários das igrejas.
Já se afirmou que o movimento chefiado pelo mais divulgado de todos os antilhanos, Marcus Garvey, "presidente" ausente do continente africano, representa a tentativa dos camponeses antilhanos de resolver o problema racial americano. Isso não é mais verdadeiro do que seria dizer que a postura editorial de The Crisis durante a guerra refletia o espírito dos Negros americanos quanto às suas queixas, ou que o falecido Booker T. Washington delimitou com êxito as aspirações educacionais de seu povo. O apoio dado a Garvey por um certo tipo de seus compatriotas explica-se em parte pela reação de grupo aos ataques feitos contra ele por causa de sua nacionalidade. Por outro lado, as mais antigas e persistentes denúncias dos multitudinários esquemas de Garvey foram iniciadas por antilhanos de Nova York, como Cyril Briggs e o autor deste artigo.
O preconceito contra os antilhanos está em proporção direta ao seu número; daí sua força em Nova York, onde estão fortemente concentrados. Não é muito diferente da hostilidade entre ingleses e americanos da mesma estirpe racial. É de se esperar que o sentimento esteja sempre presente, em maior ou menor grau, entre o imigrante e o nascido no país. Contudo, não se estende aos filhos dos dois grupos, pois estes estão sujeitos ao mesmo ambiente e desenvolvem identidade de fala e de psicologia. Além disso, tem havido uma quantidade apreciável de casamentos mistos, especialmente entre homens nascidos no estrangeiro e mulheres nativas. Não se deve ignorar o fato de que o congestionamento em Harlem tem obrigado ambos os grupos a serem menos seletivos na aceitação de inquilinos, favorecendo assim contatos conciliadores.
A contribuição mais notável dos antilhanos para a vida Negra americana é a afirmação insistente de sua virilidade num ambiente que exige demasiada servilidade e aquiescência sem protesto dos homens de sangue africano. Essa recusa em conformar-se e padronizar-se, em aceitar mansamente um status inferior e abdicar de sua humanidade, encontra expressão aberta nas atividades do Negro nascido no estrangeiro na América.
Sua característica dominante é a de abrir novos caminhos, rompendo os grilhões que prenderiam os pés de um povo viril – espírito eloquentemente expresso nos versos desafiadores do poeta jamaicano Claude McKay:
Como homens, encararemos a matilha assassina e covarde,
Esmagados contra a parede, morrendo, mas lutando⁴.
Artigo publicado originalmente em:
Locke, Alain [Ed]. (1925). The New Negro: An Interpretation. New York: Albert and Charles Boni.
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⁴ Versos do poema “If We Must Die”, de Claude McKay. Utilizamos a tradução de André Caramuru Aubert. No original: “Like men we’ll face the murderous, cowardly pack, / Pressed to the wall, dying, but fighting back”. [NT]
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